Economia

Correios admitem que ‘taxa das blusinhas’ gerou rombo de R$ 2,2 bilhões

Correios admitem que ‘taxa das blusinhas’ gerou rombo de R$ 2,2 bilhões

Os Correios admitiram que a chamada “taxa das blusinhas”, estabelecida pelo programa Remessa Conforme em 2023, impactou diretamente seu caixa e revelou falhas estruturais na atuação da estatal. Essa taxa, que impõe uma cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, foi responsável por uma perda de receita estimada em R$ 2,2 bilhões logo após sua implementação.

No terceiro trimestre de 2025, a estatal registrou uma queda de 12,7% na receita, totalizando R$ 12,3 bilhões em comparação ao mesmo período do ano anterior. As receitas internacionais caíram drasticamente, de R$ 3,2 bilhões nos nove primeiros meses de 2024 para apenas R$ 1,1 bilhão no mesmo período de 2025.

Crise Financeira e Medidas de Recuperação

A diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo destacou que a perda de protagonismo no segmento de encomendas internacionais evidenciou a falta de adaptação da empresa às novas dinâmicas do mercado. Os Correios enfrentam R$ 3,7 bilhões em obrigações financeiras acumuladas até setembro de 2025, o que dificulta o cumprimento de suas responsabilidades financeiras.

Para enfrentar essa crise, os Correios planejam captar R$ 12 bilhões para garantir liquidez, além de implementar um plano de reestruturação que inclui revisão de custos e modernização operacional. A estatal também reconhece o aumento da concorrência no setor logístico e a necessidade de ajustes estruturais.

Impacto e Futuro

O impacto da taxa das blusinhas gerou um ciclo vicioso de perda de clientes e receitas, prejudicando a relação com grandes clientes que representam mais da metade da receita da empresa. A Gazeta do Povo reportou que, apesar das dificuldades, os Correios estão comprometidos em prestar contas e garantir a sustentabilidade de seus serviços.

Opinião

A situação dos Correios ilustra os desafios enfrentados por estatais em um mercado cada vez mais competitivo, exigindo uma resposta ágil e eficaz para garantir a continuidade dos serviços essenciais.