Eleições

Governador Cláudio Castro avalia saída antecipada para evitar cassação no TSE

Governador Cláudio Castro avalia saída antecipada para evitar cassação no TSE

Com a retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), está avaliando a possibilidade de antecipar sua saída do cargo. Essa decisão é motivada pelo receio de uma eventual condenação que poderia resultar em sua cassação.

Castro enfrenta acusações de abuso de poder político e econômico durante a eleição de 2022, relacionadas a contratações irregulares no Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisa e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O julgamento, que começou em novembro, foi suspenso após um pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira, e está agendado para ser retomado no dia 10 de março, às 19h.

Nos últimos meses, Castro vinha fazendo suspense sobre sua decisão. Inicialmente, ele planejava deixar o cargo em abril, mas agora considera a possibilidade de sair já no fim de março. Aliados do governador acreditam que a pressão do julgamento pode levá-lo a deixar o cargo antes do esperado, para evitar o desgaste de uma eventual cassação.

A única a votar até agora foi a relatora Isabel Galloti, que defendeu a condenação de Castro por crime eleitoral. A denúncia do Ministério Público Eleitoral aponta irregularidades na contratação de 27 mil funcionários temporários no Ceperj e 18 mil na Uerj, que teriam sido contratados para atuar como cabos eleitorais a favor do governador.

Além de Castro, outros réus no processo incluem o ex-vice-governador Thiago Pampolha (MDB) e o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Estado, Rodrigo Bacellar (União Brasil). Se o governador for cassado, novas eleições diretas serão convocadas; caso renuncie antes, a eleição para o mandato-tampão será feita de forma indireta na Alerj.

O entorno de Castro espera que um novo pedido de vista possa atrasar o julgamento, permitindo que ele permaneça no cargo até o fim de março ou início de abril. Em meio a essa situação, as conversas sobre a sucessão de Castro no PL estão avançando, mas na direção contrária ao que o governador deseja. O ex-presidente Jair Bolsonaro manifestou preferência por Douglas Ruas como sucessor, enquanto Castro apoia Nicola Miccione.

A defesa de Castro nega as acusações, afirmando que não houve irregularidades nas contratações. O advogado Fernando Neves defendeu que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio já havia absolvido o governador, e espera que o recurso do Ministério Público seja negado.

Opinião

A situação de Cláudio Castro evidencia a tensão política no estado, onde as consequências do julgamento no TSE podem redefinir o cenário eleitoral e a própria governança do Rio de Janeiro.