Enquanto a Argentina enfrentava sua quarta greve geral sob a gestão de Javier Milei, o mercado financeiro de Buenos Aires operou em um mundo à parte nesta quinta-feira (19). O índice Merval fechou com valorização de 4,26%, aos 2.839.106,06 pontos. Segundo dados da TradeMap, esta foi a maior alta intradiária do indicador desde 31 de outubro de 2025, quando o índice avançou 7,48%.
O movimento ocorreu em meio ao início dos debates da reforma trabalhista na Câmara dos Deputados, sinalizando que investidores apostam na aprovação das medidas. Com a bolsa argentina voltando ao radar, a pergunta que ganhou força entre investidores brasileiros é: depois da disparada, vale a pena investir na Argentina?
Vale a pena investir?
“Vale, mas não para todo mundo”, afirma Gabriel Uarian, analista CNPI da Cultura Capital. Ele explica que a exposição pode fazer sentido apenas para quem aceita risco elevado e tem paciência. Para investidores com alta tolerância a risco e horizonte de longo prazo, acima de 5 anos, sim. Para perfis conservadores ou moderados, ele recomenda evitar alocações significativas, citando o histórico de defaults, desvalorizações abruptas e volatilidade política.
Uarian diz que, para a maioria, o caminho mais simples é a exposição indireta via B3, com foco em ETFs e BDRs. Entre os veículos citados pelos analistas como principais rotas para brasileiros, estão: ARGE11 e ARGT39.
O rali já aconteceu?
Para Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, é preciso separar o tema em duas etapas. Ele afirma que boa parte do rali mais forte “já aconteceu lá atrás, logo após a eleição do Milei”, com reprecificação por expectativa. Agora, o que sustenta (ou não) a tese é a execução: disciplina fiscal, avanço de reformas estruturais e redução de distorções macro.
Simão afirma preferir a exposição via ETF e destaca a Global X (ARGT/ARGT39) por replicar o índice MSCI Argentina com metodologia estruturada. Ele também faz uma ressalva importante sobre a alternativa “empresa”: segundo o analista, o Mercado Livre tem mais peso do Brasil do que da própria Argentina em seu balanço.
Investir pela B3 pode ser mais prudente?
Na avaliação de Diego Hernandez, economista e CEO da Ativo Investimentos, a forma mais prudente de investir na Argentina é evitar transferir recursos diretamente para o país. Segundo ele, há o risco de o investidor enfrentar dificuldades para repatriar os valores posteriormente — situação que já ocorreu na Argentina e em outros mercados da América Latina. “A melhor forma é investir via um ETF aqui no Brasil”, afirma, citando preferência pelo ARGE11.
Opinião
A recente valorização do Merval reflete um momento de expectativa, mas a volatilidade política e os riscos de default ainda fazem muitos investidores ponderarem antes de se expor diretamente ao mercado argentino.
