Economia

Angola cede 60 mil hectares para brasileiros e gera disputa com a China

Angola cede 60 mil hectares para brasileiros e gera disputa com a China

O governo de Angola anunciou a disponibilização de 60 mil hectares na província de Cuanza-Norte para agricultores brasileiros. Este acordo, mediado pelo Ministério da Agricultura do Brasil, visa utilizar a tecnologia nacional para transformar Angola em uma potência agrícola, focando na produção de grãos e carnes.

Os produtores brasileiros planejam cultivar milho, soja, algodão, além de carnes bovina e suína. Com um investimento inicial previsto de US$ 120 milhões, o projeto busca reduzir a dependência de importações alimentares, permitindo que Angola produza seu próprio sustento.

O modelo de negócios inclui empréstimos do BNDES para aquisição de máquinas e sementes, com a participação do Banco do Brasil e do Fundo Soberano de Angola. Além disso, bancos locais e os próprios agricultores brasileiros contribuirão financeiramente para cobrir os custos das lavouras.

A principal atração das terras angolanas para os brasileiros é a semelhança do solo com o Cerrado brasileiro, que, após desenvolvimento técnico, se tornou uma das regiões mais produtivas do mundo. Angola, com cerca de 35 milhões de hectares de terras agricultáveis, é vista como uma nova fronteira agrícola.

No entanto, essa parceria enfrenta desafios, como a falta de infraestrutura e a necessidade de adaptação às legislações locais sobre posse de terra. Além disso, a China também está investindo na agricultura angolana, criando um cenário de competição entre os dois países. Enquanto o modelo brasileiro é focado em empresas privadas com apoio governamental, o projeto chinês é controlado por estatais, visando garantir o envio de grãos ao mercado chinês.

Opinião

A parceria entre Brasil e Angola pode trazer benefícios mútuos, mas é essencial que os produtores brasileiros estejam preparados para os desafios locais e a concorrência internacional.