O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento de um inquérito que investigava a ex-deputada federal Carla Zambelli pelos crimes de coação no curso do processo e obstrução de investigação. A decisão foi tomada em 18 de outubro de 2023, após a Procuradoria-Geral da República (PGR) concluir que não havia provas suficientes para embasar uma denúncia contra Zambelli.
A investigação foi aberta em junho de 2022, após Zambelli declarar durante uma entrevista que pretendia permanecer nos Estados Unidos e solicitar asilo político ao governo do ex-presidente Donald Trump. Essas declarações ocorreram antes de sua prisão em Roma, na Itália, em julho de 2022, onde tentava escapar de um mandado de prisão emitido por Moraes.
Fuga e condenação
Carla Zambelli possui dupla cidadania e buscou asilo na Itália após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão em 2023, devido à invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). De acordo com as investigações, Zambelli foi a autora intelectual dessa invasão, que teve como objetivo a emissão de um mandato falso de prisão contra Alexandre de Moraes. O hackeamento foi executado por Walter Delgatti, que confirmou ter realizado a ação a mando da ex-deputada.
Após sua fuga, o governo brasileiro solicitou a extradição de Zambelli, e a decisão final sobre o processo será tomada em uma audiência programada pela Justiça italiana nas próximas semanas.
Opinião
O arquivamento do inquérito levanta questões sobre a eficácia das investigações e a resposta do sistema judicial diante de casos complexos envolvendo figuras políticas.
