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Governo Lula prioriza fim da escala 6×1 e ignora riscos de 640 mil demissões

Governo Lula prioriza fim da escala 6x1 e ignora riscos de 640 mil demissões

O fim da escala 6×1 é uma das prioridades do governo Lula para 2026, mas essa decisão pode acarretar sérios danos à economia brasileira. Atualmente, dois projetos de lei tramitam na Câmara dos Deputados, propondo a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas. No entanto, especialistas alertam que essa mudança pode resultar na perda de até 640 mil empregos formais.

Baixa produtividade e riscos econômicos

A produtividade média no Brasil cresceu apenas 0,2% ao ano entre 1981 e 2024, colocando o país na 100ª posição em produtividade por trabalhador e na 91ª posição em produtividade por hora trabalhada. O diretor-presidente do Centro de Liderança Pública (CLP), Tadeu Barros, enfatiza que a produtividade não pode ser aumentada por decreto, mas sim através de investimentos em capital humano, tecnologia e um ambiente de negócios favorável.

Aumento da informalidade e custos de trabalho

O fim da escala 6×1 pode também intensificar a informalidade no mercado de trabalho. Com o aumento do custo do trabalho formal, o incentivo à informalidade pode crescer, como já ocorreu anteriormente com a PEC das Domésticas. O economista Bruno Corano alerta que, se o custo do trabalho formal aumentar, haverá uma tendência de substituição por tecnologia e uma desaceleração nas contratações formais.

Impacto no PIB e competitividade

Um estudo da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) prevê uma queda de até 16% do PIB se a jornada for reduzida sem ganhos de produtividade. As pequenas e médias empresas podem ser as mais afetadas, enfrentando um aumento de 22% nos custos de mão de obra. Para José Velloso, presidente-executivo da Abimaq, o Brasil está atrasado em automação, com apenas 10 robôs a cada 10 mil trabalhadores, em comparação à média mundial de 162.

Visões divergentes sobre a absorção de custos

Enquanto o Ipea acredita que o mercado pode absorver o aumento dos custos de mão de obra, um estudo da FecomercioSP sugere que a redução da jornada aumentaria significativamente os custos, especialmente para as micro e pequenas empresas. O debate, segundo Tadeu Barros, deve ser aritmético e não ideológico, considerando as implicações reais da proposta.

Opinião

A discussão sobre o fim da escala 6×1 deve se concentrar em soluções que garantam a produtividade e a competitividade do Brasil, evitando que mudanças legislativas gerem mais problemas do que benefícios.