A revitalização da Malha Oeste se torna uma prioridade absoluta para o Estado de Mato Grosso do Sul, conforme destacado em recente reportagem do Correio do Estado. O projeto não se limita apenas à recuperação de trilhos abandonados, mas visa reativar uma engrenagem estratégica que pode redefinir a economia local.
O impacto da revitalização vai muito além da ferrovia. A reativação da Malha Oeste pode impulsionar novos investimentos logísticos, incluindo a construção de outras ferrovias pela iniciativa privada, especialmente nas regiões leste e nordeste do Estado, que se tornaram conhecidas como o Vale da Celulose. A criação de uma espinha dorsal ferroviária eficiente é fundamental para tornar novos ramais viáveis e rentáveis.
Integração e Competitividade
Não é exagero afirmar que a revitalização da Malha Oeste possui um potencial estruturante superior, até mesmo, à Rota Bioceânica rodoviária, uma vez que a ferrovia se integra ao conceito bioceânico. Enquanto as estradas são essenciais, a ferrovia oferece ganhos permanentes de escala e custo. Essa força transformadora é crucial para a economia.
Uma malha ferroviária em pleno funcionamento pode reduzir os custos de produtos que não são produzidos localmente, barateando insumos e bens que abastecem o mercado. Além disso, torna os produtos sul-mato-grossenses mais competitivos, diminuindo o valor do frete até os grandes centros consumidores e portos de exportação. Essa é uma mudança estrutural que não depende de incentivos temporários ou renúncias fiscais, mas sim de eficiência logística.
Impacto no Setor de Combustíveis
O exemplo dos combustíveis ilustra bem essa questão. Com a Malha Oeste revitalizada, o transporte por trem poderia ser retomado, resultando em menos caminhões nas rodovias, menor desgaste da malha viária e, principalmente, redução de custos. O preço dos combustíveis é um motor da economia; quando diminui, quase todas as cadeias produtivas se tornam mais competitivas.
O potencial de escoamento da celulose produzida no Estado rumo ao Porto de Santos é amplamente discutido, aumentando a competitividade de um dos setores mais dinâmicos da economia local. No entanto, limitar a ferrovia a esse papel seria um erro. Os trilhos podem também transportar grãos, minério de ferro, produtos frigoríficos e uma variedade de mercadorias. Cada tonelada transportada com menor custo amplia a vantagem competitiva de Mato Grosso do Sul.
Opinião
A revitalização da Malha Oeste deve ser tratada como o projeto número um do Estado, não como uma promessa, mas como uma prioridade efetiva que pode sustentar décadas de crescimento econômico consistente.
