Documentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelam uma explosão no número de contratos de crédito consignado do Banco Master, que operava por meio do Credcesta. O número de contratos saltou de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, representando um aumento de mais de 2.500% em apenas dois anos.
A Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) consolidou esses dados, e o INSS está apurando a regularidade dessas contratações. Os documentos apontam um padrão de “desconformidades nas operações de crédito consignado associadas ao produto Credcesta“, o que gera preocupações sobre a segurança dos beneficiários.
Irregularidades e Reclamações
Entre 2020 e 2024, foram registradas 3.378 reclamações de beneficiários contra o Banco Master, segundo dados da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). O INSS destacou a necessidade de uma “intervenção preventiva” devido ao risco de danos aos aposentados e pensionistas.
O Credcesta, criado em 2018 por Augusto Lima, era acessível apenas a servidores de Estados e municípios. Em 2025, o Banco Master encerrou o ano com 324.849 contratos ativos relacionados a crédito consignado, mas a liquidação do banco foi decretada em novembro de 2025.
Investigação e Consequências
O INSS está sob pressão, com investigações em curso sobre as operações do Credcesta e a regularidade dos contratos. O Banco Central, responsável pela liquidação do Master, não respondeu aos questionamentos sobre o assunto.
Em outubro, a diretora do INSS, Márcia Eliza de Souza, afirmou que havia um “ponto de atenção” nas operações do Credcesta, citando o aumento significativo no número de contratos. O Ministério Público Federal também recomendou priorizar o pagamento a aposentados e pensionistas que foram vítimas de descontos indevidos.
Opinião
A situação do Credcesta e do Banco Master levanta questões sérias sobre a fiscalização e a proteção dos direitos dos beneficiários, exigindo uma resposta rápida e eficaz das autoridades competentes.
