A energia nuclear está se consolidando como uma prioridade no planejamento do governo brasileiro, conforme o Plano Energético Nacional 2055 (PNE 2055), cuja consulta pública foi aberta em 12 de outubro pelo Ministério de Minas e Energia (MME). O governo decidiu aumentar a meta de energia nuclear de 10 GW para 14 GW, um incremento significativo que promete impactar a matriz energética do país.
O presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), Celso Cunha, destacou a importância dessa mudança, afirmando que cada gigawatt representa um investimento de US$ 5 bilhões. Assim, o potencial total de investimentos em energia nuclear até 2055 pode alcançar impressionantes US$ 90 bilhões. Ele acredita que essa expansão é crucial para estabilizar a matriz elétrica e permitir o crescimento das fontes renováveis.
Novas Tecnologias e Desafios
O PNE 2055 também inclui a proposta de implementar pequenos reatores nucleares modulares (SMRs), que oferecem a vantagem de serem mais fáceis de instalar do que as grandes centrais. A empresa Âmbar Energia, parte do grupo J&F, está entre as que planejam investir nessa tecnologia, que pode ser utilizada em áreas remotas, como a Amazônia, substituindo geradores a óleo diesel.
Atualmente, existem cerca de 127 projetos de SMRs em desenvolvimento globalmente, embora apenas três unidades estejam operando comercialmente na China e na Rússia. O aumento da capacidade instalada no Brasil pode chegar a quintuplicar até 2055, com 88% dessa capacidade proveniente de energias renováveis, segundo o plano.
Impactos e Perspectivas
O PNE 2055 também prevê um aumento expressivo na demanda por minerais críticos e estratégicos no Brasil, essenciais para o desenvolvimento da eletromobilidade e para abastecer as usinas nucleares. O documento sugere que a transformação mineral no território nacional é fundamental para maximizar o valor associado a motores elétricos, baterias e equipamentos de geração renovável.
Opinião
A expansão da energia nuclear no Brasil levanta questões sobre a segurança e a sustentabilidade, mas também apresenta uma oportunidade para diversificar a matriz energética, crucial para o futuro energético do país.
