Política

André Mendonça assume relatoria de investigações do Banco Master após pressão a Toffoli

André Mendonça assume relatoria de investigações do Banco Master após pressão a Toffoli

O ministro André Mendonça foi sorteado na noite de 12 de outubro como o novo relator das investigações criminais sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A mudança na condução dos trabalhos ocorre após Dias Toffoli deixar os inquéritos que apuram um esquema bilionário de fraude no banco de Daniel Vorcaro.

A saída de Toffoli da relatoria aconteceu após uma reunião convocada por Edson Fachin, presidente do STF, com todos os integrantes da Corte. O STF divulgou uma nota informando que, “a pedido do ministro Dias Toffoli”, foi acolhida a comunicação para a redistribuição dos feitos sob sua relatoria. Apesar disso, Toffoli defendeu sua permanência, mas acabou cedendo após pressão de colegas, o que gerou um clima de tensão durante a reunião.

Investigação e Críticas

O clima de tensão foi intensificado pela leitura do relatório entregue pela Polícia Federal (PF) a Fachin, que menciona Toffoli em investigações relacionadas a celulares e computadores de investigados, incluindo Daniel Vorcaro. A atuação de Toffoli nas investigações gerou desconforto em integrantes da PF, do Banco Central e do Ministério Público Federal (MPF), especialmente por decisões consideradas atípicas, como a de manter provas lacradas no STF.

Além disso, Toffoli foi criticado pela convocação de uma acareação entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), antes mesmo da coleta de depoimentos dos dois investigados. Essa acareação tinha como objetivo confrontar versões conflitantes apresentadas.

Pressão e Consequências

A situação se agravou quando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou pessoalmente a Fachin um relatório que cita Toffoli, incluindo dados extraídos de celulares de investigados. O documento revela telefonemas entre Toffoli e o banqueiro, além de convites para eventos sociais. Toffoli se defendeu, alegando que o relatório contém “ilações” e admitiu sua participação societária em uma empresa relacionada ao resort Tayayá, mas negou recebimentos diretos de dinheiro.

Opinião

A troca de relatoria no caso do Banco Master evidencia a pressão que o STF enfrenta em meio a investigações complexas, refletindo a necessidade de transparência e responsabilidade entre seus membros.