Economia

Seguradoras globais cobrem terras desmatadas no Brasil e geram polêmica

Seguradoras globais cobrem terras desmatadas no Brasil e geram polêmica

Uma investigação do Nikkei Asia revelou que 15 seguradoras globais emitiram apólices para terras agrícolas no Brasil que foram desmatadas ilegalmente. Essas apólices, que cobrem perdas de safra por condições climáticas adversas, incluem seguradoras de países como Japão e França, além de empresas locais. Ao longo da última década, foram emitidas 254 apólices para fazendas em terras desmatadas ilegalmente, abrangendo 278 quilômetros quadrados de área.

Descompasso entre políticas ambientais e desenvolvimento industrial

Apesar de o Brasil ter sediado a COP30 no ano passado e feito apelos pela preservação das florestas tropicais, a investigação identificou um grande descompasso entre as políticas ambientais e o desenvolvimento industrial do país. O Nikkei Asia examinou mais de 1,09 milhão de registros de seguros agrícolas do Ministério da Agricultura, cruzando dados com informações sobre 87.094 propriedades rurais ilegais confiscadas pelo Ibama.

Apólices suspeitas e resposta do governo

Dentre as apólices, 158 foram assinadas após investigações do Ibama, que é responsável pela fiscalização das leis ambientais. A Brasilseg, braço de seguros do Banco do Brasil, destacou-se com 89 apólices suspeitas. Além disso, seguradoras estrangeiras, como a francesa Essar e a japonesa Tokio Marine Holdings, também foram identificadas na emissão de apólices para áreas ilegais.

Consequências e regulamentação futura

Rodrigo Agostinho, presidente do Ibama, expressou preocupações sobre a legalidade das apólices para terras cultivadas ilegalmente. Ele destacou que, embora instituições financeiras sejam obrigadas a cumprir as leis ambientais, o setor de seguros carece de regulamentação adequada. Roberta Cantinho, diretora do departamento de políticas de controle de desmatamento e queimadas do Ministério do Meio Ambiente, afirmou que “segurar terras que foram desmatadas ilegalmente é inaceitável”.

Expectativas para o agronegócio

O agronegócio representa um quarto do PIB do Brasil e espera-se um crescimento de 40% até 2025, atingindo 3,79 trilhões de reais. As seguradoras competem para expandir suas operações nesse setor, que se torna cada vez mais arriscado devido às mudanças climáticas.

Opinião

A situação das seguradoras que cobrem terras desmatadas ilegalmente levanta questões críticas sobre a responsabilidade ambiental e a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa no setor.