O Ibovespa B3 voltou a bater recorde nesta quarta-feira (11), fechando aos 189.699,12 pontos e ultrapassando 190 mil pontos no intradiário, um feito que reforça a sensação de força do mercado brasileiro em 2026. Apenas neste ano, já são 11 recordes nominais.
Porém, por trás do número “de tela”, há um detalhe que muda o enquadramento do rali: nem todo recorde nominal é, necessariamente, um recorde histórico em termos econômicos. Segundo um estudo da Elos Ayta Consultoria, o índice está muito perto de retomar o máximo histórico ajustado pela inflação, mas ainda distante do pico quando medido em moeda forte.
Proximidade do topo real
No recorte ajustado pelo IPCA, o Ibovespa B3 está a 3,24% de superar o topo real registrado em maio de 2008, que foi de 195.844 pontos. Para Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, esse tipo de marca tem um significado diferente do recorde nominal. “Ultrapassar esse nível significaria algo simbólico e estrutural: geração líquida de valor real no longo prazo”.
Distância em dólar
Na conversão para dólar, o retrato muda. O estudo aponta que o Ibovespa B3 ainda está 21,92% abaixo do pico em moeda americana: foram 44.616 pontos no máximo histórico em dólar, contra 36.596 pontos nesta quarta-feira. Na leitura do executivo, é nessa régua que aparece a distância entre o entusiasmo doméstico e o reposicionamento internacional do Brasil.
“Estamos muito próximos de um recorde real. Mas ainda longe de um recorde global”, pontuou Rivero.
Fatores de risco
A diferença entre as duas medidas ajuda a separar o que é “momento” do que é “estrutura”. De um lado, o recorde nominal e a proximidade do topo real sugerem um mercado local mais confiante, embalado por fluxo, expectativas e resultados. De outro, a defasagem em dólar funciona como lembrete de que o Brasil ainda carrega, na visão do investidor estrangeiro, um prêmio de risco associado a câmbio, volatilidade e incertezas macro e fiscais.
Esses fatores interferem diretamente no retorno em moeda forte. Segundo o estudo, o Ibovespa B3 está a um passo de recuperar o poder de compra do auge pré-crise de 2008, mas precisa de uma reprecificação bem mais profunda — e, em geral, também de um real mais forte — para reencontrar o pico em dólar. “A distância entre 3% e 22% é, na prática, a diferença entre celebrar um recorde e consolidar um ciclo”, conclui Rivero.
Opinião
O cenário atual do Ibovespa B3 reflete a complexidade do mercado brasileiro, onde otimismo local contrasta com desafios internacionais que ainda precisam ser superados.
