O plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, por unanimidade, o ato de concentração da Azul Linhas Aéreas com a United Airlines. Essa operação é uma parte crucial do processo de reorganização judicial da companhia brasileira, que está sob o Chapter 11 nos Estados Unidos.
Com a aprovação, a participação da United no capital social da Azul aumentará de 2,02% para aproximadamente 8%. Essa decisão foi tomada após a análise de um recurso do IPSConsumo, que questionava o “entrelaçamento estratégico” entre a United e a American Airlines, além da influência da United no grupo Abra, controlador da Gol.
Reorganização e Aporte Necessário
O relator Diogo Thomson considerou que o novo Estatuto Social da Azul traz salvaguardas que mitigam os riscos de compartilhamento de informações sensíveis. Ele também ressaltou que, se a American Airlines entrar na estrutura societária futuramente, o Cade fará uma nova análise aprofundada.
A Azul alertou que a celeridade na decisão era vital, pois atrasos além desta quarta-feira (11) trariam “graves riscos” à sua saúde financeira. A companhia destacou que está arcando com altos custos mensais para concluir sua reestruturação. Para sair do Chapter 11, a empresa precisa captar pelo menos US$ 850 milhões via Oferta Pública de Ações.
Aporte da United e Sustentabilidade Operacional
Deste total, os aportes serão divididos da seguinte forma: US$ 750 milhões serão aportados por um grupo de credores e US$ 100 milhões serão injetados pela United Airlines. A companhia afirmou que, com a conclusão do plano, estará financeira e operacionalmente mais forte para retomar a expansão de sua oferta nos mercados doméstico e internacional.
Na visão da Azul, a operação é claramente pró-competitiva, permitindo que a empresa permaneça como uma concorrente agressiva no setor. O Cade, embora tenha mantido a aprovação sumária, reforçou que a implementação das premissas de governança e compliance pactuadas é essencial para a manutenção do cenário concorrencial equilibrado.
Opinião
A aprovação do Cade representa um passo importante para a Azul, mas a vigilância sobre as condições de mercado e governança será crucial para garantir a competição saudável no setor aéreo.
