O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a liberação de R$ 1,5 bilhão em emendas parlamentares até a primeira semana de fevereiro, um valor que representa o maior montante já pago nesse período desde 2016. Essa estratégia é vista como uma tentativa de melhorar a relação com o Congresso Nacional, que enfrentou atritos significativos desde o segundo semestre do ano passado.
Segundo um levantamento da Folha de S. Paulo com dados do painel Siga Brasil, o valor liberado mais que dobrou em relação ao ano anterior, que foi de R$ 634,5 milhões, já corrigidos pela inflação. O recorde anterior, registrado em 2021, foi de aproximadamente R$ 770 milhões liberados no início do ano.
Até o momento, 97% das emendas de 2025 foram empenhadas, e a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) estabelece que, em ano eleitoral, 65% das emendas individuais e de bancada devem ser pagas até o final de junho. Essa regra foi mantida pelo governo para evitar uma nova crise política com o Congresso.
O montante liberado até agora inclui cerca de R$ 1 bilhão referente a emendas de 2025, além de R$ 180 milhões de 2024 e R$ 103 milhões de 2023. Com isso, as emendas já consomem cerca de 22% do orçamento discricionário federal, o que reduz a margem do governo para realizar investimentos próprios.
Opinião
A liberação expressiva de emendas pelo governo Lula reflete a necessidade de fortalecer laços com o Congresso em um ano eleitoral, evidenciando a importância da articulação política para a governabilidade.
