Economia

Pix e stablecoins disputam liderança nos pagamentos na América Latina

Pix e stablecoins disputam liderança nos pagamentos na América Latina

A transformação dos meios de pagamento na América Latina não é apenas uma questão de inovação, mas uma necessidade urgente para eficiência econômica e inclusão financeira. Nesse cenário, dois protagonistas emergem: os pagamentos em tempo real, como o Pix no Brasil, e as stablecoins.

O papel do Pix

Os sistemas de pagamentos instantâneos, como o Pix, já se consolidaram no cotidiano das pessoas. Com um crescimento acelerado, os pagamentos em tempo real devem ultrapassar 575 bilhões de transações globais até 2028, segundo a ACI Worldwide. Isso representa mais de um quarto de todas as transações eletrônicas no mundo.

Esse crescimento não é apenas quantitativo; reflete uma mudança na forma como recursos são movimentados, priorizando velocidade e usabilidade. Além disso, a adoção desses sistemas está associada ao avanço da inclusão financeira, especialmente entre jovens e populações de baixa renda. Em cinco mercados emergentes, incluindo o Brasil, os benefícios econômicos podem alcançar US$ 199,7 bilhões nos próximos dois anos.

O crescimento das stablecoins

As stablecoins, por sua vez, ganham relevância ao atacar gargalos históricos da região. O envio de recursos entre fronteiras na América Latina ainda envolve taxas superiores a 5%, prazos de liquidação longos e volatilidade cambial. Atreladas a moedas soberanas, as stablecoins oferecem maior previsibilidade e custos potencialmente menores.

Dados da McKinsey mostram que a circulação global de stablecoins dobrou nos últimos 18 meses, impulsionada pela demanda de mercado e avanços regulatórios nos Estados Unidos e na Europa. No entanto, desafios como interoperabilidade e incertezas regulatórias ainda limitam sua adoção em larga escala.

Um futuro colaborativo

A dinâmica entre pagamentos em tempo real e stablecoins na América Latina cria um cenário único. A competição e a complementaridade entre os sistemas podem transformar a circulação de dinheiro tanto dentro dos países quanto entre fronteiras. O futuro dos pagamentos não se resume a um único vencedor, mas exige segurança, estabilidade e liberdade de escolha para consumidores e instituições financeiras.

Opinião

O cenário competitivo entre Pix e stablecoins pode impulsionar inovações que beneficiem a economia da América Latina, mas as autoridades precisam garantir um ambiente regulatório que favoreça essa evolução.