A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou o mês de janeiro de 2026 em 0,33%, conforme dados do IBGE divulgados nesta terça-feira (10). O índice foi impactado principalmente pela alta nos preços dos combustíveis, especialmente da gasolina, enquanto uma queda na conta de luz ajudou a moderar o aumento.
Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,44%, superando o centro da meta de 3% e os 0,16% registrados em janeiro do ano passado. O grupo de Transportes, que subiu 0,6%, teve o maior impacto no IPCA de janeiro, puxado pela alta de 2,14% nos combustíveis. A gasolina, que avançou 2,06%, sozinha respondeu por 0,1 ponto percentual do índice, enquanto outros combustíveis como etanol, diesel e gás veicular também ficaram mais caros.
Fernando Gonçalves, gerente do IBGE para a apuração do IPCA, destacou que a gasolina tem um peso significativo de 5,07% na composição do índice, enquanto a energia elétrica representa 4,16%. “Na energia elétrica, a queda de 2,73% ocorreu principalmente devido à mudança na bandeira tarifária de amarela para verde, que começou em janeiro”, explicou.
Além disso, o grupo de Habitação caiu 0,11%, influenciado pela redução na energia elétrica residencial. O grupo de Alimentação e bebidas também mostrou uma desaceleração, passando de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro, com a alimentação no domicílio subindo apenas 0,1%. Essa variação foi influenciada pela queda de itens como o leite longa vida, que recuou 5,59%, e o ovo de galinha, com uma queda de 4,48%.
No entanto, alguns alimentos continuaram pressionando os preços, como o tomate, que disparou 20,52%, e as carnes, com alta de 0,84%, especialmente o contrafilé e a alcatra, que subiram 1,86% e 1,61%, respectivamente. A alimentação fora do domicílio também desacelerou, com alta de 0,55%, abaixo dos 0,60% registrados no mês anterior.
Fernando Gonçalves enfatizou que o grupo de Alimentação e bebidas é o de maior peso no IPCA, representando 21,42% das despesas das famílias brasileiras. “Isso significa que pouco mais de 1/5 das despesas das famílias é com alimentação, especialmente em casa”, afirmou.
Opinião
A alta nos combustíveis e a inflação crescente são preocupantes e exigem atenção das autoridades econômicas para evitar impactos maiores na economia das famílias brasileiras.
