O jornalista Rafael Cardoso lançou nesta semana no Rio de Janeiro o livro Autobiografias de escravizados: Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, publicado pela editora Dialética. A obra é resultado de sua pesquisa de mestrado em história na Universidade Federal do Estado do Rio (UNIRIO).
O livro se destaca por abordar a escravidão nos Estados Unidos sob a perspectiva dos escravizados, em um movimento contrário ao que geralmente é observado nas ciências sociais. Em vez de um pesquisador norte-americano estudando o Brasil, é um estudioso brasileiro que se debruça sobre a história dos Estados Unidos.
Destaques de Douglass e Grimes
Rafael Cardoso escolheu como personagens principais dois importantes líderes abolicionistas: Frederick Douglass, que nasceu em 1818 e morreu em 1895, e William Grimes, nascido em 1784 e falecido em 1865. Ambos publicaram suas autobiografias, sendo as de Grimes lançadas em 1825 e 1855, e as de Douglass em 1845 e 1855.
O autor observa que as autobiografias de Grimes e Douglass refletem as mudanças sociais nos Estados Unidos durante o intervalo de 30 anos entre suas publicações. Ele analisa como as experiências pessoais dos dois homens revelam detalhes sobre os locais onde viveram, suas relações familiares e sociais, bem como o contexto político da época.
Rafael Cardoso destaca a importância da disponibilidade de relatos escritos de escravizados nos EUA, o que não ocorreu da mesma forma no Brasil, onde a maioria dos escravizados era analfabeta. Isso fez com que historiadores brasileiros utilizassem documentos de cartório e outras fontes gerenciais para reconstruir a história dos escravizados. A única exceção citada é a Biografia de Mahommah Gardo Baquaqua, um homem nascido no atual Benim que foi escravizado no Brasil.
Reflexões sobre a História
Como repórter da Agência Brasil, Rafael Cardoso acredita que o estudo da história aprimora a visão crítica e analítica da realidade, habilidades que são essenciais para seu trabalho jornalístico. Ele enfatiza que as influências estruturais, econômicas e sociais moldam as escolhas e possibilidades de vida das pessoas.
Opinião
A obra de Rafael Cardoso é uma contribuição valiosa para a discussão sobre a escravidão e suas implicações, trazendo à tona vozes que muitas vezes foram silenciadas na história.





