Em janeiro de 2026, um incidente envolvendo um power bank durante um voo da LATAM obrigou a aeronave que seguia de São Paulo para Brasília a desviar a rota e pousar em Ribeirão Preto (SP). Apesar do susto a bordo, não houve feridos graves, e a companhia aérea acionou os protocolos de segurança previstos para lidar com a situação. O caso chamou a atenção para as diretrizes sobre o transporte de baterias portáteis que muitos passageiros desconhecem.
Regras da ANAC sobre transporte de power banks
Para esclarecer se pode levar power bank no avião, quais são os limites e regras definidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e quais cuidados reduzem riscos de acidentes, o TechTudo conversou com o CEO da Security First, Fernando Corrêa.
Sim, é permitido levar power bank no avião, mas com restrições. Segundo as regras da ANAC, baterias portáteis com capacidade de até 100 watt-hora (Wh) podem ser transportadas pelos passageiros. Modelos com capacidade entre 100 Wh e 160 Wh também são permitidos, mas limitados a duas unidades por pessoa e dependem de aprovação prévia da companhia aérea.
A ANAC adota o watt-hora como referência por expressar a energia total armazenada. Já o miliampère-hora (mAh) indica apenas a capacidade elétrica e precisa ser convertido para Wh, considerando a voltagem da bateria, para efeito de fiscalização. Essa diferença é uma das principais fontes de dúvida entre passageiros no momento do embarque.
Cuidados ao usar power banks durante o voo
A Agência também orienta que esses dispositivos devem ser transportados exclusivamente na bagagem de mão. O envio na bagagem despachada é proibido, já que eventuais falhas ou superaquecimento no porão da aeronave dificultam a atuação rápida da tripulação.
Na maioria dos casos, o uso do power bank a bordo é permitido, desde que ele esteja em boas condições e seja utilizado com cautela. O especialista alerta para evitar expor o acessório a situações que favoreçam o superaquecimento, como carregar o celular dentro da mochila, sob cobertores ou em espaços sem ventilação.
Incidentes com baterias de íons de lítio
Casos como o ocorrido no voo da LATAM chamam atenção, mas isso não significa que baterias explodem com frequência em aviões. Segundo Fernando Corrêa, o ambiente da aeronave pode aumentar o risco apenas quando a bateria já apresenta defeitos. A variação de pressão e a baixa umidade do ar podem agravar microfissuras ou falhas internas, facilitando a expansão dos gases dentro da bateria.
As regras para o transporte de baterias portáteis em aviões vêm sendo revistas em diferentes países desde o início de 2025. Um dos principais fatores é a evolução dos próprios power banks, que passaram a concentrar mais energia em formatos compactos e a oferecer tecnologias de carregamento rápido, como Power Delivery e Quick Charge.
Dicas de segurança para uso de power banks
Para reduzir riscos, Fernando Corrêa recomenda algumas medidas simples, como transportar o power bank sempre na bagagem de mão, com os terminais protegidos para evitar curtos-circuitos, e evitar o superaquecimento durante o uso. É crucial verificar se a capacidade está claramente indicada no aparelho.
Opinião
O incidente com o power bank no voo da LATAM reforça a importância de seguir as novas regras da ANAC e adotar cuidados ao transportar e usar esses dispositivos durante viagens aéreas.
