A consolidação dos sites de apostas, conhecidos como bets, está impactando significativamente o comércio no Brasil, segundo Glauco Humai, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Em uma recente entrevista coletiva, ele afirmou que “as bets estão tirando, sim, dinheiro do consumo e dos shoppings”.
As apostas movimentam cerca de R$ 30 bilhões por mês, um volume considerável que, segundo Humai, afeta diretamente a capacidade de compra dos consumidores, especialmente daqueles que estão endividados. “As pessoas que estão com pouco dinheiro e jogando nas bets têm mais dificuldade para comprar”, destacou.
Crescimento do Comércio Eletrônico
Outro desafio enfrentado pelos shoppings é o crescimento do comércio eletrônico, que se torna cada vez mais competitivo. Com entregas mais rápidas e abrangentes, muitos consumidores optam por comprar online em vez de se deslocar até os shoppings. “Antes as pessoas pegavam o carro para ir ao shopping, mas hoje podem comprar certos itens pela internet”, admitiu Humai.
Faturamento e Vendas em Alta
Apesar dos desafios, os shoppings brasileiros estão se adaptando. O faturamento do setor atingiu um recorde de R$ 200,9 bilhões em 2025, com um crescimento de 1,2% nas vendas. O tempo médio de permanência dos visitantes nos shoppings também aumentou, agora em 80 minutos, um recorde comparado aos 73 minutos dos anos anteriores e menos de 30 minutos durante a pandemia.
Humai observou que os 81 shoppings inaugurados desde 2020 ainda estão em processo de amadurecimento, o que pode estar puxando a média de vendas do setor para baixo. “Isso tende a mudar quando eles amadurecerem”, afirmou.
Opinião
A situação dos shoppings é complexa, e a concorrência com as apostas e o comércio eletrônico exige inovação constante para atrair consumidores.





