Geral

Veterinários alertam: Dermatite alérgica à picada de pulgas afeta cães e gatos

Veterinários alertam: Dermatite alérgica à picada de pulgas afeta cães e gatos

Considerada uma das principais causas de doenças dermatológicas em cães e gatos, a dermatite alérgica à picada de pulgas (Dapp) é uma reação de hipersensibilidade à saliva da pulga. Essa condição pode desencadear coceira intensa, inflamação da pele, feridas e infecções secundárias, mesmo com a exposição a uma única picada em animais previamente sensibilizados.

A médica-veterinária Farah de Andrade explica que a Dapp não deve ser vista como uma reação simples ou passageira. “É uma condição alérgica séria, que compromete a qualidade de vida do pet. A coceira constante causa lesões dolorosas, favorece infecções por fungos e bactérias, interfere no sono, no apetite e até no comportamento do animal, além de agravar quadros pré-existentes, como dermatites atópicas”.

Sinais clínicos em cães e gatos

Os principais sinais clínicos da Dapp em cães incluem prurido intenso, vermelhidão, crostas, feridas, lambedura excessiva, especialmente nas patas, e queda de pelos, principalmente na região lombar, base da cauda, abdômen e parte interna das coxas. Já em gatos, os sinais são mais discretos, como falhas no pelo e lesões no pescoço, cabeça e região dorsal.

Controle ambiental e ciclo das pulgas

Para entender a gravidade da Dapp, é preciso compreender o ciclo das pulgas. Estima-se que cerca de 5% da população de pulgas esteja no animal adulto, enquanto a maior parte (95%) encontra-se no ambiente na forma de ovos, larvas e pupas. Um único parasita pode produzir até 50 ovos por dia, que se espalham por toda a casa, especialmente em locais como tapetes e sofás.

A veterinária alerta que tratar apenas o animal não resolve o problema. “É indispensável o controle ambiental com produtos adequados, aspiração frequente e lavagem de tecidos. Do contrário, o ciclo se reinicia e o quadro alérgico persiste”.

Tratamento da Dapp

O tratamento da Dapp vai além do controle dos parasitas. A eliminação das pulgas é o primeiro passo, mas o plano terapêutico costuma incluir o uso de anti-inflamatórios e antipruriginosos, como prednisolona e dexametasona. Antibióticos e antifúngicos são indicados quando infecções secundárias são confirmadas.

Para fortalecer a barreira cutânea e promover a recuperação da pele, são utilizados suplementos e nutracêuticos, como ácidos graxos essenciais, ômega 3 e 6, além de antialérgicos e imunomoduladores. A manipulação veterinária permite a personalização do tratamento, ajustando a dosagem ao peso do animal e facilitando a administração.

Prevenção e cuidados

A Dapp possui caráter recorrente, e a prevenção é o caminho mais eficaz para manter a saúde da pele dos pets. A aplicação regular de antipulgas e repelentes, o controle ambiental contínuo e visitas periódicas ao médico-veterinário são essenciais. A veterinária reforça a importância da observação cotidiana: “Coçar é comum, mas coceira constante é sinal de alerta. O responsável deve estar atento às mudanças de comportamento, à qualidade da pelagem e ao surgimento de lesões”.

Opinião

A conscientização sobre a dermatite alérgica à picada de pulgas é fundamental para garantir a saúde e o bem-estar dos nossos pets. O tratamento e a prevenção adequados podem melhorar significativamente a qualidade de vida dos animais afetados.