Economia

Governo federal promove etanol de milho como solução para descarbonização

Governo federal promove etanol de milho como solução para descarbonização

A produção de etanol de milho cresce aceleradamente no Brasil, principalmente na região do Centro-Oeste, transformando o grão em combustível e em subprodutos valiosos. O movimento é impulsionado por novas biorrefinarias, que agregam valor à produção agrícola e fortalecem a cadeia de proteína animal.

O milho se tornou essencial para o etanol, pois, além de combustível, seu processamento gera produtos extras muito valiosos. Cada tonelada do grão produz cerca de 450 litros de etanol e 300 quilos de um farelo rico em proteína, conhecido como DDG, além de óleo e energia. Esse farelo serve como ração para animais, reduzindo o custo da produção de carnes e tornando a operação mais lucrativa e sustentável.

Descarbonização e dilemas do governo

O etanol de milho é considerado uma alternativa ambientalmente viável. Embora o carro elétrico não emita gases durante a operação, a produção de suas baterias gera uma significativa pegada de carbono. O etanol, por sua vez, é produzido a partir de uma planta que captura carbono, apresentando uma emissão total semelhante à do veículo elétrico.

O governo federal enfrenta um dilema ao promover o etanol como uma solução para a descarbonização, sem criar atritos com a China, grande parceira comercial e principal fornecedora de carros elétricos para o Brasil. A posição oficial do Ministério de Minas e Energia é que não existe uma única solução, e que as tecnologias podem se complementar, unindo biocombustíveis e eletrificação.

Produção e consumo de milho

A produção de milho no Brasil cresceu mais que o consumo nos últimos anos, resultando em um grande excedente. A indústria de etanol utiliza principalmente o milho da segunda safra, que não compete com o grão destinado à alimentação humana. O farelo DDG, que sobra do processo, volta como ração, barateando a produção de proteína animal e equilibrando a cadeia.

Especialistas e o próprio governo afirmam que a nova demanda por milho não deve causar inflação persistente. O preço do etanol está intimamente ligado ao preço da gasolina, seu principal concorrente, o que ajuda a estabilizar os custos. Além disso, o aumento da oferta de milho e a diversidade da produção agrícola no Brasil contribuem para manter os preços estáveis.

Opinião

O crescimento da produção de etanol de milho é uma oportunidade para o Brasil se destacar no cenário global, mas é crucial que o governo equilibre interesses e promova soluções sustentáveis que beneficiem toda a cadeia produtiva.