A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) divulgou dados preocupantes sobre o consumo de café no Brasil, que caiu 2,31% entre novembro de 2024 e outubro de 2025. O consumo passou de 21,9 milhões para 21,4 milhões de sacas de 60 kg, refletindo um cenário desafiador para a indústria.
Faturamento em alta
Apesar da queda no consumo, o faturamento da indústria cresceu 25,6% em 2025, totalizando R$ 46,24 bilhões. O aumento de 5,8% no preço do café para o consumidor é um dos fatores que contribuíram para esse crescimento. A volatilidade dos preços nos últimos anos, com aumentos de até 201% na espécie conilon e 212% na arábica, impactou diretamente os valores no varejo.
Resiliência do consumidor
O presidente da Abic, Pavel Cardoso, acredita que, apesar da queda, o resultado é positivo, uma vez que o brasileiro continua a demonstrar sua resiliência em relação ao café. Cada brasileiro consome, em média, 1,4 mil xícaras de café por ano, mantendo o Brasil como o segundo maior consumidor do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Expectativas para 2026
Para 2026, a Abic não espera uma queda significativa no preço do café, mas prevê um ambiente mais estável com a chegada de uma nova safra. No entanto, a expectativa é de que o preço ao consumidor só comece a cair após duas safras, devido aos estoques globalmente baixos.
Tarifa sobre café solúvel
A luta da cadeia produtiva do café também se concentra na redução das tarifas aplicadas pelo governo dos Estados Unidos ao café solúvel, que ainda enfrenta uma taxa de 40%. Pavel Cardoso destacou que a suspensão da tarifa sobre o café em grão é um passo positivo, mas a taxação do café solúvel continua sendo uma preocupação.
Opinião
A situação do café no Brasil reflete a complexidade do mercado e a necessidade de estratégias eficazes para equilibrar consumo e preços, especialmente em um cenário de incertezas climáticas e econômicas.





