Internacional

Guan Heng conquista asilo nos EUA após documentar abusos em Xinjiang e enfrenta riscos

Guan Heng conquista asilo nos EUA após documentar abusos em Xinjiang e enfrenta riscos

Um tribunal de imigração dos Estados Unidos concedeu asilo a Guan Heng, um cidadão chinês de 38 anos, que foi detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) após documentar abusos de direitos humanos contra muçulmanos em Xinjiang. Sua detenção ocorreu no verão passado, em um contexto de repressão à imigração nos EUA.

O asilo foi concedido em um momento em que Guan enfrentava a possibilidade de ser deportado para a China, onde corria o risco de um longo período de prisão. Um representante da organização Direitos Humanos na China, com sede em Nova York, destacou que “não há possibilidade de recurso agora”, mas alertou que o Departamento de Segurança Interna (DHS) pode recorrer da decisão dentro de 30 dias, o que justifica a necessidade de Guan permanecer detido por esse período.

Inicialmente, o DHS havia planejado deportá-lo para Uganda, um país que estreitou laços com a China. No entanto, esse plano foi abandonado após preocupações levantadas por legisladores e pela mídia americana sobre a segurança de Guan.

Guan entrou em Xinjiang em 2020 e, utilizando análises de coordenadas de satélite, conseguiu filmar supostas instalações de detenção para muçulmanos uigures e outras minorias étnicas, evitando a vigilância do governo chinês. Após divulgar um filme com suas filmagens, ele entrou ilegalmente nos Estados Unidos e solicitou asilo em 2021.

A China, por sua vez, restringe severamente a cobertura jornalística sobre a região de Xinjiang e tem sido alvo de críticas internacionais por suas práticas de direitos humanos, incluindo trabalho forçado e genocídio, alegações que o governo chinês nega, afirmando que são falsas e uma interferência em seus assuntos internos.

Opinião

A concessão de asilo a Guan Heng representa um passo importante na proteção de defensores de direitos humanos, mas a possibilidade de recurso por parte do DHS ainda gera incertezas sobre seu futuro.