O Banco Central (BC) iniciou uma investigação interna em 29 de janeiro de 2026 para apurar possíveis falhas na fiscalização do Banco Master, que resultaram na liquidação da instituição. A decisão foi anunciada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e a apuração está sendo conduzida sob sigilo na corregedoria do órgão desde o final do ano anterior.
A investigação surge em meio à repercussão de um escândalo envolvendo o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, e busca esclarecer se houve erros técnicos ou institucionais na atuação do Banco Central antes da intervenção. A intenção é entender as falhas para corrigir procedimentos e evitar que situações semelhantes ocorram no futuro.
Liquidação do Banco Master e suas consequências
O Banco Master, que cresceu de R$ 3,7 bilhões em 2019 para R$ 82 bilhões em 2024, teve sua liquidação decretada em 18 de novembro de 2025. A medida foi acompanhada pela Polícia Federal, que investiga fraudes em negociações que totalizam R$ 12,2 bilhões. Tanto o Banco Master quanto o BRB, que estava envolvido nas operações, negam qualquer irregularidade.
Saídas importantes no Banco Central
A investigação também coincide com a saída de dois altos funcionários do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que lideravam o Departamento de Supervisão Bancária. A saída deles é vista como um fator relevante para a apuração, embora não haja acusações formais contra os ex-dirigentes.
O crescimento do Banco Master e suas práticas de risco
O crescimento acelerado do Banco Master foi impulsionado pela captação de recursos através de CDBs que ofereciam rendimentos muito acima da média do mercado. Enquanto concorrentes ofereciam até 98% do CDI, o banco prometia retornos de até 140%, o que foi considerado uma prática de alto risco. Com dificuldades para honrar compromissos, o banco passou a ser monitorado mais de perto pelo Banco Central em 2024.
Opinião
A investigação do Banco Central é um passo necessário para entender as falhas na supervisão do sistema financeiro e garantir a estabilidade do mercado, especialmente em casos de liquidação de instituições financeiras.





