Receber uma citação para pagamento de dívida pode ser alarmante, mas entender a diferença entre cobrança judicial e processo de execução é crucial para proteger seu patrimônio e sua tranquilidade. A cobrança judicial é um procedimento comum utilizado quando o credor não possui um “título executivo”, como um contrato sem força de título ou uma nota fiscal. Este processo se inicia com uma petição inicial, seguida pela citação do devedor, que pode apresentar sua contestação. Após a fase de provas, o juiz emite uma sentença, e se o credor vencer, inicia-se a fase de cumprimento de sentença, que pode culminar em atos de penhora. Contudo, esse processo pode levar anos, permitindo que o devedor se prepare.
Execução: Aceleração e Riscos
Por outro lado, o processo de execução ocorre quando o credor possui um título executivo, como um contrato com força executiva ou um cheque. Nesse caso, o credor pode solicitar a execução imediata, resultando na citação do devedor para pagamento em um prazo curto, geralmente de 15 dias úteis, sob pena de penhora. Este processo é mais rápido e rígido, deixando pouco espaço para que o devedor planeje uma defesa eficaz.
Consequências para o Devedor
Os riscos enfrentados pelo devedor em um processo de execução incluem o bloqueio online de valores através do Sisbajud, bem como restrições a veículos e imóveis. A penhora pode abranger dinheiro, carros, imóveis e até mesmo ativos financeiros. Em casos extremos, o juiz pode adotar medidas atípicas, como a suspensão da CNH ou do passaporte, especialmente se houver indícios de má-fé. O juiz tem o poder de investigar movimentações financeiras atípicas e pode desconsiderar a proteção de bens se houver evidências de fraude.
Direitos e Proteções do Devedor
É importante que o devedor conheça seus direitos. Bens impenhoráveis geralmente incluem salários, poupanças até 40 salários mínimos, ferramentas de trabalho e o bem de família, que é o imóvel residencial da entidade familiar. No entanto, exceções se aplicam, como em dívidas de pensão alimentícia ou tributos do imóvel. A boa-fé do devedor é fundamental, pois pode influenciar decisões judiciais. Juízes que reconhecem a boa-fé tendem a valorizar soluções práticas e a favorecer aqueles que buscam negociar e pagar o que podem.
Opinião
Entender a diferença entre cobrança judicial e execução é vital para que o devedor possa agir de forma proativa e proteger seus bens, buscando sempre a transparência e a boa-fé nas negociações.





