Santa Catarina

Adolescentes são responsabilizados por morte do cão Orelha em Florianópolis

Adolescentes são responsabilizados por morte do cão Orelha em Florianópolis

Quatro adolescentes estão sendo responsabilizados pela morte do cão Orelha, que foi agredido em 4 de janeiro na Praia Brava, em Florianópolis. O animal foi encontrado ferido e agonizando por pessoas que estavam no local e, devido à gravidade dos ferimentos, foi submetido à eutanásia no dia seguinte, 5 de janeiro.

A Polícia Civil informou que o caso envolve também a violência contra outro animal, chamado Caramelo, que conseguiu escapar do grupo. A situação gerou grande comoção e levantou discussões sobre as sanções aplicáveis a menores de idade, que são regidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Legislação e sanções

Embora os maus-tratos a animais sejam considerados crimes com penas de prisão que variam de 2 a 5 anos, conforme a Lei dos Crimes Ambientais, os adolescentes envolvidos estão sujeitos a medidas socioeducativas por serem menores de 18 anos. A advogada Viviane Cabral, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da OAB São Paulo, explicou que, em casos como este, as medidas podem incluir advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade ou até internação, dependendo da gravidade da infração.

A recente Lei Sansão (14.064/2020) alterou a legislação sobre maus-tratos, aumentando a severidade das penas para esses crimes. Além disso, a Lei nº 19.726, aprovada em 22 de outubro, institui proteção específica para cães e gatos comunitários, reforçando a necessidade de proteção a esses animais.

Investigação em andamento

O inquérito policial que apura a morte de Orelha foi concluído e remetido ao poder judiciário. A investigação incluiu depoimentos de mais de 20 pessoas e a análise de imagens de câmeras de segurança, que ajudaram a esclarecer os atos de agressão e coação relacionados ao caso. Familiares dos adolescentes também foram indiciados por tentarem coagir testemunhas durante o processo.

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, destacou que a responsabilização dos adolescentes será feita perante a autoridade judicial, que aplicará as sanções previstas no ECA.

Opinião

A brutalidade do caso Orelha evidencia a urgência de uma revisão nas leis que protegem os animais, garantindo que ações violentas contra seres vivos sejam tratadas com a seriedade que merecem.