A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito em 28 de janeiro de 2026 para investigar denúncias de que influenciadores digitais foram abordados por representantes do Banco Master para atacar o Banco Central. A ação ocorre após a liquidação extrajudicial do Banco Master, que aconteceu em novembro de 2025, e visa apurar uma possível campanha coordenada para descredibilizar o órgão regulador.
O inquérito foi autorizado pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação surgiu a partir de uma análise preliminar de postagens que indicaram indícios de crimes e levantaram suspeitas sobre uma ofensiva organizada contra o Banco Central. A liquidação do Banco Master ocorreu durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e na investigação de membros da diretoria por fraudes financeiras.
Investigação dos influenciadores
Fontes da investigação afirmam que ao menos 46 perfis de influenciadores foram acionados para disseminar a narrativa de que a liquidação do banco teria sido “precipitada”. Os influenciadores foram abordados para reforçar a ideia de que houve um erro técnico, numa tentativa de pressionar instituições de controle. Um plano elaborado por uma agência ligada ao Banco Master incluía a produção de vídeos para sustentar decisões judiciais favoráveis ao banco e questionar a atuação do Banco Central.
Os influenciadores Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite foram os primeiros a relatar propostas para defender o Banco Master nas redes sociais. O esquema foi apelidado de “Projeto DV”, em referência a Daniel Vorcaro. Segundo apurações, contratos com influenciadores chegavam a R$ 2 milhões e incluíam cláusulas de confidencialidade, com multas de R$ 800 mil por quebra de sigilo.
Reações e implicações
As denúncias sugerem que os ataques tinham como objetivo influenciar a opinião pública, insinuando que a liquidação do Banco Master seria uma articulação da esquerda e do “Centrão”. O plano buscava reverter a decisão no Tribunal de Contas da União (TCU), embora essa hipótese já tenha sido descartada pelo próprio TCU. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também foi alvo da campanha, e confirmou um “volume atípico” de menções ao caso, afirmando que está avaliando internamente se houve um ataque coordenado.
Opinião
A investigação da PF destaca a importância de se apurar a relação entre influenciadores e interesses financeiros, especialmente em casos que envolvem a credibilidade de instituições públicas.
