A arrecadação federal no Brasil apresentou um crescimento significativo nos últimos 30 anos, com uma média de 4,6% ao ano, superando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que foi de 3,3% no mesmo período. Em 2025, a arrecadação federal atingiu o montante recorde de R$ 2,9 trilhões, segundo dados da Receita Federal e do IBGE.
Carga tributária em ascensão
O aumento da arrecadação reflete uma relação crescente entre a arrecadação e o PIB, que alcançou 23,1% em 2024. Isso significa que o governo federal arrecadou quase um quarto do total gerado pelo setor produtivo do país. A carga tributária total do Brasil, que inclui impostos de estados e municípios, é de 34% do PIB, indicando que mais de um terço da riqueza gerada vai para o Estado.
Desafios fiscais e dívidas crescentes
Apesar do crescimento na arrecadação, o cenário fiscal é preocupante. A Dívida Bruta do Governo Geral atingiu 78,4% do PIB em outubro de 2025, e a meta de déficit para o ano é de R$ 32 bilhões. A taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, também pressiona as contas públicas, resultando em um ambiente econômico desafiador.
Modelo fiscal sob pressão
O economista Marcos Mendes, associado ao Insper, destaca que o modelo fiscal brasileiro, caracterizado por gastos obrigatórios e indexados, gera uma pressão constante por novas receitas. Essa dinâmica pode levar a um aumento da carga tributária, mas também a uma resistência por parte dos contribuintes e a busca por isenções fiscais, o que prejudica a eficiência econômica.
Perspectivas e incertezas
Embora a arrecadação tenha mostrado um crescimento robusto, analistas alertam que há um “limite natural” para essa expansão. A resistência dos contribuintes e a fuga de capital são reações diretas à alta carga tributária. Além disso, manobras contábeis e a falta de um ajuste fiscal estrutural podem levar a um colapso nas contas públicas no futuro.
Opinião
A situação fiscal do Brasil exige atenção urgente. A combinação de alta arrecadação e crescente dívida pública pode resultar em um cenário insustentável se não forem implementadas reformas estruturais significativas.
