A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado instituiu um grupo de trabalho para acompanhar as investigações sobre o Banco Master, uma das fraudes mais significativas da história brasileira. O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que o grupo vai requisitar todos os documentos já existentes sobre o Banco Master no Banco Central, no Tribunal de Contas da União (TCU) e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além dos inquéritos da Polícia Federal.
O grupo de trabalho é composto por senadores de diferentes partidos, incluindo Alessandro Vieira (MDB-SE), Damares Alves (Republicanos-DF) e Randolfe Rodrigues (PT-AP). Os membros terão a autoridade de convocar autoridades, solicitar informações oficiais e elaborar propostas legislativas relacionadas ao caso.
Críticas ao TCU e à atuação de Toffoli
Renan Calheiros não poupou críticas ao TCU, afirmando que a instituição não deve “encobrir malfeitos”. A inspeção do TCU, que visava os documentos da liquidação do Banco Master, foi suspensa após críticas sobre a possível interferência do tribunal na autonomia do Banco Central. O relator do caso, Jhonatan de Jesus, havia determinado a inspeção, mas a medida gerou controvérsias e levou à suspensão.
Em uma reunião realizada no dia 12 de janeiro de 2026 entre Vital do Rêgo, presidente do TCU, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, ficou decidido que a autarquia monetária concordava com a inspeção. Contudo, Galípolo acabou retirando o recurso contra a determinação do TCU.
Sigilo e transparência
Renan também criticou o sigilo imposto pelo ministro Dias Toffoli sobre as informações do caso, afirmando que é inaceitável que um ministro do STF transfira o sigilo de uma fraude para o presidente do Senado. Ele defendeu que as informações devem ser tornadas públicas, ressaltando que o objetivo da comissão é estabelecer limites e garantir a transparência nas investigações.
A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, investiga a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Recentemente, a PF realizou a segunda fase da operação, que teve como alvo familiares de Daniel Vorcaro, proprietário do banco.
Opinião
A criação do grupo de trabalho pelo Senado é um passo importante para garantir a transparência nas investigações do caso Master, mas a crítica ao sigilo imposto por Toffoli evidencia a necessidade de maior responsabilização e clareza em processos que envolvem fraudes financeiras.
