Alliança Saúde prorroga aumento de capital
A Alliança Saúde e Participações (AARL3), controlada por Nelson Tanure, anunciou nesta quinta-feira (15) a prorrogação do prazo para exercício do direito de preferência no aumento de capital aprovado em dezembro de 2025. A capitalização, que visa fortalecer a estrutura financeira da empresa, totaliza R$ 797,3 milhões.
Os acionistas têm prioridade para adquirir novas ações, o que é comum em momentos de menor apetite por novos investimentos ou quando a companhia avalia que parte dos investidores ainda não se posicionou. Esse movimento ocorre em um contexto de maior exposição do controlador, que enfrenta problemas de liquidez.
Investigação da Polícia Federal
Recentemente, a situação de Tanure se complicou ainda mais. Na quarta-feira, a Polícia Federal apreendeu seu celular durante a segunda fase da operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master. Tanure é suspeito de envolvimento em uma rede de fundos e operações financeiras associadas à instituição.
De acordo com informações do UOL, R$ 720 milhões em empréstimos supostamente tomados pela Lormont Participações, empresa ligada a Tanure e que detém 46,2% da Alliança, teriam sido utilizados para abastecer fundos da Reag, gestora que foi liquidada pelo Banco Central.
Processo sancionador da CVM
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também reabriu um processo sancionador para investigar possíveis irregularidades na oferta pública de aquisição (OPA) realizada por Tanure na Alliança há mais de dois anos. A CVM está analisando a atuação do FIP Fonte de Saúde Multiestratégia, que possui 20,62% do capital da companhia, e da MAM Asset Management, associada ao Banco Master.
A OPA é alvo de apuração devido a supostas infrações às regras do mercado de capitais, relacionadas ao intervalo entre a mudança de controle e a formalização da oferta.
Dívidas e reestruturação financeira
Além das investigações, Tanure está passando por uma reestruturação financeira. Ele renegociou uma dívida de R$ 1,2 bilhão ligada à aquisição da Ligga Telecom, com um prazo de alongamento de até dois anos. A situação de liquidez de Tanure é vista como pressionada, levantando dúvidas sobre sua capacidade de realizar novos aportes bilionários.
Em outubro do ano passado, Tanure perdeu o controle da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) após não honrar uma debênture de R$ 520 milhões. Recentemente, ele também vendeu sua participação de 20% na PRIO (PRIO3) para ajustar sua situação com credores.
Opinião
A situação da Alliança Saúde e de Nelson Tanure ilustra os desafios enfrentados por empresas em momentos de crise, especialmente quando envolvidas em investigações e reestruturações financeiras.
